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Prefeito Pedro Gouvêa presta contas na Câmara Legislativa sob protestos

Foto: Ailton Martins
Aconteceu nesta quinta-feira (02/03) uma sessão extraordinária na Câmara legislativa de São Vicente a pedido do prefeito Pedro Gouvêa (PMDB) para prestação de contas de dois meses de governo. A sessão estava basicamente vazia, primeiro por ser em horário de dificil acesso para a população, segundo que a comunicação dessa sessão foi péssima, apenas comunicada na última sessão da câmara e pela manhã do mesmo dia na página da prefeitura no facebook. Com isso, quem estava presente a maioria era do grupo de apoio do prefeito: assessores, secretários, amigos... Caso não fosse a presença de cerca de vinte trabalhadores ambulantes do comércio vicentino que foram a sessão reivindicar mudanças na lei de regulamentação, a sessão seria uma conversa de compadres, o que não foi diferente, o prefeito discursou, e logo após isso, os vereadores fizeram sus perguntas sem novidade alguma, sempre com elogios carregados e desnecessários, na realidade, de ambos os lados havia rasgamento de seda, o único momento que quase passou um tanto desapercebido e que houve certa discordância de forma indireta foi entre o prefeito e o vereador Sargento Barreto quando ambos falaram sobre o transporte público vicentino, as vans de lotação, ficou nítido que os dois possuem visões diferentes desse serviço que, hoje, além de problemático, não resolve-se porque há um nicho de voto, de poder e controle em disputa.

Foto: Ailton Martins
Enfim, foi uma sessão realmente de compadres, primeiro porque a população não tem voz para perguntar nada, os trabalhadores ambulantes, por exemplo, foram ignorados, segundo que nada foi disponibilizado para a população referente o que concernia a prestação de contas que mais pareceu um chover no molhado, afinal questões como: quem está pagando a conta dos eventos que aconteceram, e sobre os caminhões contratados na virado do ano, dentre outras coisas, nada. O que foi apresentado de números mesmo foi a dívida herdada de um bilhão de reais que obviamente sairá do bolso da população. O prefeito também falou das creches e da preocupação de construir uma cidade para todos, uma cidade justa e, afirmou que sua prioridade é o trabalhador. Vamos esperar, mas atentos. Por enquanto o clima de carnaval ainda está instalado e tem muito confete em ações que são meras obrigações.

Foto: Ailton Martins
Observação: Interessante foi a colocação do vereador Higor Ferreira (PSDB) em dizer que o CREI, "é um excelente hospital", com essa colocação dá para imaginar que o vereador deve utilizar o CREI com frequência, ou talvez, já esteja visualizando privatizá-lo, afinal, é o que o seu partido tem feito nos municípios que administra no Estado de São Paulo, repassado para OS (Organizações não governamentais), e que tem gerado um rombo nos cofres públicos (bilhões).

Foto: Ailton Martins
Trabalhadores ambulantes

Com cartazes e organizados em comissão, é a terceira vez que os trabalhadores ambulantes comparecem na câmara, na primeira conseguiram apoio da maioria dos vereadores que, compromissaram-se em dialogar com a Secretaria de Comércio e com o prefeito para que nenhum trabalhador seja prejudicado, no entanto, até o momento não há nenhuma resposta concreta, apenas a pressão da secretaria para que os ambulantes cumpram a regulamentação. (saiba mais aqui) Todavia, de acordo com os ambulantes apesar do apoio de parte do legislativo, não existem garantias de nada, e diante de uma Secretaria de Comércio onde a secretaria adjunta, Regina do Carmo é (?) presidenta da Associação do Comércio, ou seja, há uma relação torpe nessa discussão, afinal, a Associação do Comércio sempre foi critica aos trabalhadores ambulantes, com isso, é no minimo estranho, a pessoa que é presidenta da associação assumir uma cadeira de secretaria adjunta e em seguida toda uma fiscalização deflagrada, e que não contribui para assegurar direitos, mas sim para inviabilizar as condições de trabalho, sendo que os ambulantes pagam impostos e não é pequeno o valor.

Foto: Ailton Martins
Os ambulantes estão com cerca de 6 mil assinaturas de apoio da população, e todos os dias mesmo diante das dificuldades de ter que trabalhar estão buscando mais, e se organizando enquanto "associação", já que o sindicato da categoria os deixou na mão.

Ao término da sessão receberam a informação que serão atendidos pelo prefeito na próxima segunda-feira.

Foto: Ailton Martins
Questão indígena

Esteve presente também na sessão uma liderança Guarani M'Bya da aldeia Tekoá Paranapuã para observar e saber se existe algum olhar do governo em relação a questão indígena que é ignorada no município. (Assista a fala de Karai Karai no vídeo abaixo).

População em situação de rua

O prefeito Pedro Gouvêa durante a sessão ao falar sobre a população de rua equivocou-se e muito, primeiro que ao dizer que o perfil da população de rua mudou e em seguida inferir que "85% da população de rua tem comprometimento com o tráfico de drogas" é um equivoco gigante, (é como dizer que na favela a maioria que vive lá é bandido, não é assim, de onde ele tirou esses dados?) esse tipo de fala somente criminaliza uma população que já vive à margem, na realidade, o que isso garante é uma forma de justificar determinadas atitudes (que vamos esperar que não ocorra) como violência, afinal, quando há drogas, torna-se caso de polícia e, lembrando que, violência não e somente física. Segundo, foi dizer sobre trabalhar com as igrejas no tratamento, olha parceria com a sociedade civil e entidades é uma coisa, e sabemos que muitas igrejas já contribuem com alimentos e agasalhos, mas assim, tratamento? O que é preciso para a cidade é de uma política real e radical, e não paternalista/assistencialista/paliativa que não contribui, na verdade prejudica. Aliás, é uma política a ser implantada com cuidado e planejamento.

Foto: Ailton Martins
Muitas Ongs por aí cheias de "boa intenção" se transformam em espaços de cura baseando-se apenas em fé, e pior algumas lucram com isso, ou seja vira um mercado levar pessoas para retiros.... Enfim, é tudo algo muito delicado. Tratamento espiritual não desconsidero, mas é preciso ser colocado outros tratamentos que são técnicos. Além do mais, a questão da população de rua é de responsabilidade do município, não tem que "terceirizar" o serviço, de modo algum, espero que isso não aconteça. O que o prefeito deveria saber também é que nas ruas existem muitas pessoas com problemas de saúde mental, dependência química, desestruturação social e psicológica, a própria rua vicia, com isso levará anos pra resolvermos tudo isso, mesmo tendo uma politica séria que trabalhe de forma técnica com profissionais que entendam do assunto, evidente que isso não retorna em votos prefeito, mas estamos tratando de construir uma nova São Vicente e ela tem que abarcar os mais desfavorecidos. O direito à cidade e à dignidade é pra todos, inclusive, essa questão deve ser tratada de forma metropolitana.

Consideração

Há cerca de duas semanas estive em conversa com o Felipe Da Silva Galvão, servidor, psicólogo do Seas (Secretaria de Assistência Social), que está como responsável pelo programa a ser construído nesse setor, me pareceu uma pessoa que conhece sobre a situação e quer trabalhar uma política justa e humana, espero que esse governo ouça mais os técnicos, fiquei sabendo também que Lurdinha Oliveira secretaria e vice prefeita é comprometida e tem sensibilidade sobre essa questão, pois então, isso é bom, vamos sanear as ideias e tirar esse preconceito de associar população em situação de rua com drogas, de verdade, a cidade precisa avançar, pensamento retrógrados não contribuem.

Ademais, a participação da população é fundamental para pautar as reais necessidades, afinal, o mandato deles pertencem a população e eles recebem muito bem para o ofício que exercem, principalmente num momento de crise.

  

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